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domingo, junho 3

Aviões de papel, lulas e batata fritas.


Não sou uma pessoa competitiva, nunca fui, aliás. Acho que competições requerem esforço e esforço dá preguiça. Na educação física sempre uso meus cinquenta minutos de aula para equilibrar meu chacra com meus sentimentos e minhas teorias malucas enquanto as outras pessoas correm e se encharcam de suor.
A única coisa que torna esportes aceitável é poder acertar a bola na cabeça de alguém, que realmente não é uma atividade recusável.
Mas a vitória tem um gosto tão bom. Como pão de queijo, ou pipoca. Já conheceu alguém que não gostasse de algum desses dois, ou que tivesse enjoado deles?
A verdade é que aceito competições quando eu sei que vou ganhar. Como apostar qual o melhor aviãozinho de papel, quem sabe mais detalhes insignificantes sobre lulas, quem come mais batata frita em menos e etc.
Só que aí você conhece alguém aparentemente inofensivo que poderia, aparentemente, ser o engenheiro de aviõezinhos de papel mais rico do Brasil, que sabe mais sobre lula do que as próprias lulas e que come batatas fritas de uma maneira que até o Yoshi sentiria inveja. Aí sua pseudo-autoestima e toda a reputação que você criou durante anos é ameaçada. Cadê a justiça desse mundo?
Pela primeira vez na minha vida sinto a necessidade de ser melhor que alguém e de provar pra todo mundo isso e, não importa quantas vezes eu perder, um dia, vou poder dizer definitivamente que sou melhor em algo. Que venço em algo. É importante pra mim agora, ora. Não posso deixar que simplesmente um folgado entre na minha vida e destrua todas as coisas pelas quais eu pude sentir orgulho durante anos só porque ele é incrivelmente inteligente e talentoso em basicamente TUDO.
Por enquanto, o que posso fazer é usar uma aula de educação física ou outra para jogar a bola na cabeça dele e rir interiormente.

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