Não sou uma pessoa
competitiva, nunca fui, aliás. Acho que competições requerem
esforço e esforço dá preguiça. Na educação física sempre uso
meus cinquenta minutos de aula para equilibrar meu chacra com meus
sentimentos e minhas teorias malucas enquanto as outras pessoas
correm e se encharcam de suor.
A única coisa que
torna esportes aceitável é poder acertar a bola na cabeça de
alguém, que realmente não é uma atividade recusável.
Mas a vitória tem um
gosto tão bom. Como pão de queijo, ou pipoca. Já conheceu alguém
que não gostasse de algum desses dois, ou que tivesse enjoado deles?
A verdade é que aceito
competições quando eu sei que vou ganhar. Como apostar qual o
melhor aviãozinho de papel, quem sabe mais detalhes insignificantes
sobre lulas, quem come mais batata frita em menos e etc.
Só que aí você
conhece alguém aparentemente inofensivo que poderia, aparentemente,
ser o engenheiro de aviõezinhos de papel mais rico do Brasil, que
sabe mais sobre lula do que as próprias lulas e que come batatas
fritas de uma maneira que até o Yoshi sentiria inveja. Aí sua
pseudo-autoestima e toda a reputação que você criou durante anos é
ameaçada. Cadê a justiça desse mundo?
Pela primeira vez na
minha vida sinto a necessidade de ser melhor que alguém e de provar
pra todo mundo isso e, não importa quantas vezes eu perder, um dia,
vou poder dizer definitivamente que sou melhor em algo. Que venço em
algo. É importante pra mim agora, ora. Não posso deixar que
simplesmente um folgado entre na minha vida e destrua todas as coisas
pelas quais eu pude sentir orgulho durante anos só porque ele é
incrivelmente inteligente e talentoso em basicamente TUDO.
Por enquanto, o que
posso fazer é usar uma aula de educação física ou outra para
jogar a bola na cabeça dele e rir interiormente.
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