Festas de família sempre são no mínimo engraçadas quando se trata de minha família.
Costumo compará-las com o banho: no começo eu não quero ir, mas depois não quero sair.
As mulheres se juntam na cozinha, os homens se juntam no salão, as crianças rolam na grama e eu como os doces.
Logo os primos se juntam por faixas etárias e começam a conversar coisas sempre muito produtivas, como confundir ANANISMO com NAZISMO.
Sempre tem um bebê fofinho que todo mundo fica em cima.
Sempre tem um excluído que fica no canto conversando no celular.
Sempre tem aquele parente que não vemos há tempo.
Sempre tem uma criança que se machuca.
E sempre tem um vacilão que estraga tudo...
Chega uma caixa enorme para a aniversariante e todos ficam fazendo suspense:
"Nossa, o que será, Carol? Será que é uma boneca? Será que é um fogãozinho? Vai, abre"
Ai chega o sujeito e pergunta "Quem deu a bicicleta pra ela?"
Antes do parabéns abaixamos nossas cabeças e deixamos o avô orar. Depois disso já dá pra imaginar a bagunça. Cantamos um por cima do outro, repetimos o refrão mais vezes do que necessário e estouramos os confetes na hora errada.
Para comer o bolo sem acabar com chantily no nariz tem que ser esperto.
Para enfiar o bolo na cara de algum basta ser ousado.
Ou seja, todo mundo acaba com chantily no nariz.
Os mais espertos vão embora logo e deixam o salão para ser limpado, porém quem fica para limpar leva os restos dos doces para casa.
Temo pelo fim de tudo isso, apesar de achar que não acontecerá, pois sempre fomos assim:
Loucos, bagunçados, unidos e felizes.
PS: O guri do ananismo = nazismo é o mesmo vacilão da bicicleta.
Para bailar la bamba. Para bailar la bamba se necesita una poca de gracia...
segunda-feira, outubro 17
sábado, outubro 15
Os Vilões Cegos de Penapolândia - Epílogo.
Gabriel olhava de longe com os olhos distraídos enquanto o coveiro jogava terra em cima de seu passado. Resolveu enterrar Liam e Liza juntos, pois tinham juntos algo maior que sua compreensão.
Deu uma ultima olhada nos nomes da lápide deu meia volta.
Era a ultima vez de sua vida que freqüentara aquele local.
Após todos aqueles acontecimentos Gabriel resolveu continuar por seu povo, apesar de ter sido uma decisão difícil. Durantes dias vagou sem rumo, pensando em possíveis soluções, mas nunca cogitou em abandonar seu povo. Eram poucos e não tinham quem os defendesse então propôs ao Rei do Vento que juntassem seus reinos. Seria melhor a ambos, apesar de que a maior ameaça já não existia, mas assim foi feito.
O Reino do Vento e o Reino da Água, agora eram um só, e breve a Terra se juntaria nessa união. Com o Reino do Fogo extinto lhe restavam poucos inimigos e todos desejavam retornar à paz que o mundo fora algum dia.
Já não havia mais reis, ou rainhas. Adotaram um sistema mais democrático que veio dando certo desde então.
Gabriel construiu uma família e foi feliz muitas vezes. Durante a noite do aniversário de dezesseis anos de seu filho lhe deu um presente muito especial.
— O que é isso, pai?
— É uma safira, está em nossa família há muitas gerações então guarde bem isso — mentiu.
E muitos anos depois a safira se tornou símbolo da família que já foi dona de um continente e dona também da história mais fascinante já ouvida nesse mundo criado por um deus morto.
sexta-feira, outubro 14
OVCDP - 05 - O fim de tudo
Há anos Gabriel não sentia aquele fogo no peito que o possuía. Há anos Gabriel não ouvia com tanta emoção aquelas palavras serem pronunciadas . Ele fitou aquela mulher que há alguns minutos estava morta e reconheceu em seu olhar a mulher que ele mais ama. Abraçou-a e caiu em prantos.
— Mãe, eu senti tanto sua falta — balbuciou em meio às lágrimas que não cessavam — Podemos vencê-lo agora. Ele está vulnerável. Podemos vencê-lo!
— Você foi um bom menino. Estou orgulhosa.
Mãe e filho permaneceram por horas conversando. Gabriel contou-lhe como tinham sido as coisas após a morte de sua governadora e como tinha sido sua vida de rei desde então. Liza dizia não lembrar-se de nenhum de seus feitos ao lado de Liam. Mentiu.
O desejo de Gabriel era exterminar Liam ao lado de sua mãe o quanto antes para vingar todo o sofrimento causado por aquele homem. Liza assentira ao plano. Breve ambos iriam ao encontro de Liam.
Liam ficou furioso quando ao acordar e procurar por sua safira não tê-la encontrado. Estava com tanta raiva que exalava fumaça e era visível a chama vermelha em seus olhos. Teria matado Alana se, esperta, não tivesse fugido durante a noite.
Quem em sã consciência teria ousado roubar tão grande homem como eu?
Talvez algum caçador de tesouros. Mas valeria à pena arriscar a vida desta maneira por uma safira? E como um simples caçador de tesouros tinha conhecimento do feitiço do espelho? Não... quem quer que tenha cometido tamanha burrice tinha um grande motivo e grande conhecimento. Não era alguém simples. Talvez... Talvez um filho atordoado. Ponderou Liam.
Aquele dia acabara em uma bela noite de lua crescente. Talvez para indicar que aquilo tudo estava apenas começando.
Na manhã do dia seguinte Liza e Gabriel conversaram sobre a investida, mas Liza excluiu todas as chances de realizarem uma caçada. Ela contou ao filho o quão esperto e orgulhoso era o rei e que breve viria atrás de Gabriel. Era uma questão de tempo. Deveriam estar preparados para o ataque, pois mesmo sem ter a alma de Liza para ajudá-lo era uma ameaça.
Gabriel não entendia como poderiam ficar somente esperando depois de tudo que havia passado, depois de tantos anos esperando, mas resolveu confiar em sua mãe e ela estava certa.
Três dias mais tarde o mensageiro entrou sem bater no quarto de Gabriel, visivelmente cansado.
— Meu rei, ele chegou. Disseram-me que ele está vindo ao castelo e já matou cinco inocentes pelo caminho.
Gabriel correu para avisar a mãe e ambos esperaram no pátio central do reino junto com seu grande exército de soldados.
De longe viram um homem furioso caminhando em direção deles e disparando faíscas por todo canto. A cada passo do visitante o coração de Gabriel batia mais forte. Imaginava que sua mãe deveria estar muito mais abalada, mas, ao olhar pra ela viu uma mulher determinada e com o olhar focado. Sentia orgulho de sua mãe. Depois de tudo que passou, tudo que lutou, tudo que viveu – e deixou de viver – ainda estava lá. Firme.
Liam chegou à outra ponta do pátio e logo seus olhos encontraram-se com Liza e de pronto sorriu.
Liza começou a andar em direção a Liam e ao chegar a uma distância tocável dele ajoelhou-se.
— Bom vê-lo novamente, meu senhor.
Liam segurou em suas mãos e a ajudou a levantar, pois via lealdade em seus olhos. Liza ficou parada ao lado de seu verdadeiro rei.
Mesmo estando livre novamente, todos os sentimentos humanos vem da alma. Sua alma passou a ser de Liam no momento em que ele matou Ericles. A pedra, na verdade, é apenas uma maneira de manter a alma em algum lugar diferente de um corpo humano, que a prende torna seus poderes limitados. Ele a corrompeu. Ele a ensinou o mal e Liza gostara daquele mundo. Gostava de ser temida e respeitava, e, gostava acima de tudo, do poder que havia ganhado. Um poder que uma rainha boazinha jamais teria.
Gabriel não pôde acreditar no que seus olhos viam.
— Seja bem-vinda de volta — disse Liam sorrindo para sua serva, certo de que já ganhara. — Insolente. — disse agora olhando para Gabriel — Como pôde entrar em meus aposentos e roubar o que é meu? Tão burro de achar que sua mãe voltaria a ser a mesma só por tê-la colocado nesse corpo podre. E o que ganhou com isso? Só mais uma ferida e meu ódio por ti.
— Você pode ter pode ter corrompido a alma de minha mãe, mas eu tenho um exército inteiro ao meu lado. Você não tem chances.
— Já venci exércitos ao lado de tua mãe antes. Não será feito complicado algum executá-lo novamente.
— Mas agora ela é apenas um corpo podre — disse Gabriel reproduzindo as palavras do inimigo e fazendo sinal para que atacassem.
A tropa inteira correu em direção a dois simples humanos. Liza ergueu suas mãos para o alto e segundos depois estacas de gelo caíram dos céus saído das nuvens. As estacas de gelo cravaram em muitos reduzindo à metade o número de soldados sacou sua espada – que havia levado com o pretexto de matar Liam – e correu em meio ao povo matando um por um. Liam fez o mesmo e em poucos minutos todos estavam mortos. Faltava apenas Gabriel.
Liam o chamou com o olhar e Gabriel consentiu correndo para ele com fúria. Tentou uma investida direta, mas falhou quando Liam desviou-se do ataque e bateu com o cabo da espada em sua nuca. Gabriel caiu no chão, mas logo ergueu-se novamente. Segurando a espada firme conseguiu encravá-la uma vez no ombro de Liam e logo retirou-a para atacar novamente. Liam agachou rápido e deu uma rasteira certeira no garoto que novamente foi ao chão.
Liza assistia a tudo de inicio sem emoção alguma, mas ao ver Liam com a espada posicionada na barriga de Gabriel, prestes a matá-lo algo a incomodou. Prestes a morrer estava aquele garoto que um dia jurou proteger. Que um dia jurou amar. Que se orgulhava e tinha certeza que seria um bom rapaz. Estava morrendo agora e parte disso era sua culpa.
Com um impulso, Liza correu e enfiou a espada nas costas de Liam e continuou enfiando até que atravessasse seu corpo. Liam teve tempo de olhar para trás e ver a traição antes de cair morto no chão.
Jorrava sangue de todas as partes de Liam e logo o corpo de Liza começou a fazer o mesmo. Sentira a dor da traição em sua carne, mas ver seu menino salvo lhe deu forças para viver este momento com dignidade. Tentou um pedido de desculpas, mas antes que conseguisse abrir a boca já estava morta. Aos pés de Gabriel se encontravam duas pessoas de alta importância em sua vida. A mais odiada junto com a mais amada.
Gabriel jamais esqueceu aquela visão.
quinta-feira, outubro 13
OVCDP - 04 - 15 anos depois. Um rei tenta um resgate.
Durante toda a existência do Reino da Água era a primeira vez que ele era governado por um homem e Gabriel era tão bom governante quanto sua mãe.
Após a morte da Rainha Liza o reino entrou em um estado crítico. Eles se reabilitaram da maneira que puderam e os reinos vizinhos os ajudavam, antes de Liam tê-los exterminado também com o Espírito Arrasador. O Reino permaneceu sem governante até Gabriel completar dezesseis anos que foi quando ele assumiu o trono.
Agora com vinte e dois anos, os reinos da Água, Terra e vento já estavam todos reabilitados.
Gabriel ouviu falar sobre o feitiço de aprisionamento de alma que Liam estava usando em sua mãe e isso era o que lhe deixava mais furioso. Além de matá-la a privara do descanso eterno. Pesquisou sobre e leu em algum livro que era possível trazer uma pessoa com a alma aprisionada de volta a para a vida se tiver em mão a pedra da qual ela foi aprisionada, uma pequena quantidade do sangue do aprisionado, ou de alguém que tenha sido gerado dele e um corpo recém falecido para que a alma resida. Gabriel precisava da pedra.
Apesar de amar o seu povo, Gabriel não confiava em ninguém além de sua babá. Sabia que eles haviam sido traídos por Ericles no dia em que sua mãe morreu e tomou isso como lição.
Liam já não era o Rei do Fogo. Um jovem, vendo o quanto Liam era mal, falou ao povo que Liam não era digno do cargo que ele tinha e ele foi banido pelo poder do povo, enquanto o jovem se nomeava rei. Liam não se opôs à decisão deles. Ser o governador daquele reino decadente já não lhe importava. Tinha o poder necessário para ser o governador do mundo todo. Matou todos os habitantes do Continente Fogo para provar isso, com a ajuda de sua mais nova amiga.
Gabriel queria exterminar Liam. Liam queria exterminar o mundo.
Gabriel ficou sabendo que Liam já não pertencia ao Reino do Fogo, e sabia que o Reino do Fogo já não pertencia a esse mundo. Sabia que sua nova ambição era exterminar o mundo e que cedo ou tarde passaria por seu povo. Sabia também que sem a ajuda da alma de Liza não representava muito perigo. Os poderes são expandidos quando somos apenas almas, pois não somos submissos às restrições da carne. Tinha que conseguir a safira o mais rápido possível.
Seria um trabalho difícil já que Liam não residia em moradia fixa e que mesmo se eles declarassem guerra contra ele não venceriam. Dependia também da sorte.
Liam vagava pelo mundo, sem lugar para ficar, mas isso já pouco importava. Liam já quase não era humano. A sede de sangue e a maldade o transformara em uma criatura desprezível e temida. Como monstros dos sonhos de crianças. Pouco dormia, pouco comia, pouco bebia. Passava parte do dia treinando e a outra parte do dia em bares ou causando caus.
Para a sorte de Gabriel, Liam resolveu instalar-se em uma pousada barata no Continente do Vento. As pessoas o reconheciam, mas não se atreviam a opor-se a ele.
O Novo Rei havia avisado que estava à procura de Liam e que essa informação não podia chegar aos ouvidos dele, portanto, se alguém o visse era pra comunicar a ele.
Três dias após Liam ter se instalado na pousada chegou uma carta anônima dando-lhe a informação. Gabriel precisava encontrar uma maneira de obter a safira sem travar uma guerra com Liam. Tinha a informação que Liam passava as noites em bares, e muitas vezes com mulheres que se recusavam a dizer não a ele. Por que não tentar usar o velho truque da distração por uma mulher bonita?
O Rei Aquático convocou a mais bela moça do reino e juntos foram ao Continente do Vento. Até onde Gabriel sabia, Liam nunca tinha o visto, mas era melhor não arriscar, portanto vestia roupas grandes e chapéu, como um forasteiro. Gabriel e Alana ficaram do lado de fora esperando até que Liam saísse para ir ao bar. Nada lhes dava certeza de que ele sairia alguma hora, mas a carta dizia que ele saía quase todos os dias.
Após esperar quase três horas Liam sai do quarto e vai ao bar. Dez minutos depois Alana entra para não criar suspeitas. Ele se senta no balcão e ela em uma mesa com uma vista boa dele. Logo após terminar o primeiro copo Liam nota a bela moça. Pede para o garçom que encha mais um pouco o copo e senta-se junto a ela.
— Há tempos não vejo uma moça tão bonita. Olá, meu nome é Liam, mas duvido que não saiba. Posso ficar aqui com você?
— Claro — Respondeu Alana visivelmente nervosa
— Eu sei. Perguntei apenas por educação. Quer beber mais um pouquinho, ou já podemos subir ao meu quarto?
— Vou beber mais um pouquinho — Alana levantou a mão e pediu mais um copo.
Os dois bebiam em silêncio quando Liam começou a passar a mão no braço dela. Ela tirou educadamente suas mãos de cima dela.
— Olha, olha, mocinha. Não vai querer me irritar, vai?
— Não... Desculpe.
Liam inclinou-se sobre ela e a beijou. Ele fedia.
Enquanto Alana sofria no bar Gabriel vasculhava o quarto de Liam que abrira forjando uma chave de gelo. Ele acreditava que Liam não teria levado a safira para o bar, já que as chances de alguém confrontá-lo lá são minúsculas, mas poderia tê-la levado apenas por proteção à pedra. Pelo quarto estar tão desprotegido, imaginou que se a pedra estivesse no quarto estaria muito bem escondida. Procurou fundos falsos em gavetas, buracos na parede e outras maneiras de se esconder algo e nada. Não encontrou nada. Já estava indo embora decidido de que a safira estava com Liam quando olhou para o espelho e lembrou-se do feitiço que sua babá o ensinara para guardar doces escondidos de sua mãe, quando era criança. Colocou a mão sob o espelho e suavemente sua mão foi atravessando sua superfície até que elas encontraram algo. Gabriel puxou a corrente que veio junto com a safira. Seu coração bateu mais forte. Ali estava a alma de sua mãe. Deixou tudo como estava e foi descendo as escadas, quando viu Liam subindo com Alana. Forçando-a subir, aliás. Gabriel enfiou-se no quarto de vassouras o mais rápido que pôde e esperou até que ouvisse o barulho da porta de Liam fechando. Pobre Alana, não merecia aquilo, mas Gabriel teria que deixá-la para trás.
De volta ao Reino da Água Gabriel procurou a família de Alana e explicou o que havia ocorrido. Pediu que se ela regressasse era pra ele ser informado para compensá-la. Logo após Gabriel consultou um feiticeiro que lhe ajudou a trazer de volta sua mãe. Tudo que ele precisava era um corpo recém falecido agora. Usou o corpo de uma mulher que havia morrido de parada cardíaca.
O feiticeiro colocou o corpo da mulher sobre a mesa e colocou o colar em seu pescoço. Tirou um pouco do sangue de Gabriel e colocou sob a testa da mulher formando um símbolo que Gabriel não conhecia. Murmurou algumas palavras e disse a Gabriel que agora era só espera um pouco.
Depois de alguns minutos a mulher se levanta confusa. Ao ver o Gabriel sorri.
— Olá, meu príncipe.
quarta-feira, outubro 12
OVCDP - 03 - A recompensa jamais esperada
Montado em seu cavalo negro com uma falecida rainha no colo, o Rei Liam cavalgou até o local onde a guerra maior ocorria. Naquele momento já era noite e os soldados lutavam iluminados pela luz da lua. Poucos restavam, mas era perceptível a superioridade do Reino Aquático.
Ericles o seguia montado no cavalo da sua rainha e pensava na sua recompensa. Queria ouro acima de tudo.
Ericles traíra seu povo por um único motivo: ambição. Dava-se bem com a rainha e com todo o povo e recebia bem em seu trabalho, mas aquela era a maneira mais fácil. Imaginava ele que Liam iria o recompensar muito bem por tê-lo salvado a vida.
Liam parou em um local mais elevado com uma bela vista da guerra. Viu sem compaixão seus soldados no chão e os poucos que restavam sendo massacrados. Ergueu-se e proclamou:
— A guerra acaba aqui, soldados. Sua rainha está morta. Eu venci. — Liam puxou Liza pelos cabelos e a expôs ao povo.
Era audível a exclamação do povo, vinda de ambos os lados – Os soldados do Fogo já haviam aceitado a morte também.
— Isso se encerra aqui. Ericles, acabe com seus colegas.
Voltaram então, todos os sobreviventes daquele local para o Reino do Fogo (exceto um sobrevivente Aquático que Ericles poupara com a missão de levar a história aos demais).
Chegando ao Reino do Fogo o Rei Liam após expor novamente a falecida Liza ao povo foi de encontro com o feiticeiro do Reino.
— Realize o feitiço de prisão de alma.
— Onde está o exemplar da pedra?
Liam jogou uma safira e um cordão de ouro sobre a mesa do feiticeiro.
— Ótimo, meu rei. Ótimo. Amanhã estará pronto.
Liam estava cansado. Permitiu que os moradores do Reino fizessem uma festa, mas não quis participar dela. Foi para o banho e acabou cochilando na banheira.
O feitiço de prisão de alma consiste em prender a alma de uma pessoa recém falecida em uma pedra preciosa, podendo invocá-la quando desejar para que faça qualquer tipo de serviço. Liam admirava a inteligência e o poder de luta da rainha e não poderia perder isso. O único inconveniente era que a alma só obedecia à pessoa que a tivesse matado e nesse caso era o Ericles. Caso o dono atual fosse morto, o dono passava a ser quem o matou. Caso a morte tenha sido causas naturais a alma aprisionada está livre. Caso o próprio aprisionado o matasse, sua alma seria morta junto.
Liam acordou assustado e estremeceu, pois a água já gelara. Enrolou-se em uma toalha e foi para cama.
Ao amanhecer Liam foi novamente procurar o feiticeiro para receber sua safira com a alma da rainha aprisionada, após ter feito isso foi visitar Ericles.
— Olá, Ericles. Não tive a oportunidade de agradecer-te ontem.
— Tudo bem, majestade. A outras formas se ser recompensado.
— É exatamente este o motivo de minha visita.
O olhas de Ericles estava visivelmente mais interessado.
— Devo minha vida a você, portanto lhe darei o que mais tenho de valioso.
Conforme as palavras de Liam eram ditas os cantos dos lábios de Ericles erguiam.
Liam mostrou-lhe a safira e o cordão de ouro. Colocou no pescoço de Ericles.
— Oh, muito obrigado Rei Liam. Serei eternamente grato.
—Quantas vezes disse isso à sua rainha?
— Hã... Como assim?
— Pelo que entendi você era alguém em que a rainha confiava muito. Como pôde traí-la assim?
— Não estou te entendendo.
— Então vou esclarecer. Serei eternamente grato por ter salvado minha vida, mas neste reino não há lugares para traidores. Se traiu tão facilmente sua rainha por qual foi leal há anos o que lhe impediria de trair-me? Gostaria que as pessoas continuassem pensando que fui eu quem matei a rainha, portanto você é um peso. Adeus.
O rei lançou uma bola de fogo que rasgou Ericles ao meio e em seguida pegou sua safira.
Agora a rainha obedeceria somente a ele. Ele que matou seu antigo dono.
Só lhe restava pensar no que fazer a partir de agora. Por onde recomeçar? Durante anos sua vida se baseou na queda do Reino Aquático e agora ele ruíra. Tem uma arma tão forte em suas mão agora, mas não tem com quem usar. Os reinos do Vento e da Terra eram fracos de mais. Teria que encontrar inimigo à altura, ou aprender a viver de outra forma.
terça-feira, outubro 11
OVCDP - 02 - Uma nova batalha, uma nova chance.
A verdadeira guerra começaria aqui. Liza passou a ordem ao seu comandante de tropa de confiança, Ericles, que treinasse duramente seus soldados, pois logo chegaria o dia do tudo ou nada. Vitória ou morte.
Ericles tornou-se uma peça insubstituível no Reino Aquático, apesar de mais velho era o mais forte dos soldados. Conhecido pela falta de piedade, era o que mais havia exterminado soldados do Fogo e era comandante desde os tempos em que a mãe de Liza governava. Liza cresceu vendo este homem lutar e aprendeu a confiar muito nele.
Durante longos meses todos os soldados Aquáticos treinaram duramente tornando-se visivelmente mais fortes e por conseqüência mais temíveis, inclusive Liza. Orgulhosa de seus soldados e segura de sua vitória convocou-os para uma reunião
— Amigos, chegou a hora. É hora de acabar de vez com essa batalha inacabável. É hora de acabar de vez com o medo. É hora de vencer! — Todos os presentes no reino urravam de vibração com as palavras da Rainha — Amanhã pela manhã, marcharemos em direção ao Reino do Fogo e travaremos uma batalha que ficará por toda eternidade escrita na história de nosso povo. Muitos de nós morrerão. Muitos de nós ficaremos gravemente feridos. A batalha não vai ser fácil, mas saibam que não faço isso apenas por meu falecido marido ou por meu sofrido filho. Faço isso também para livrar-lhes de toda a opressão sofrida por conta desse maldito legado de Liam. Faço isso para que possamos dormir sem sentir medo de um novo ataque. Faço isso para vingar as várias mortes de gente do nosso povo e dos povos tão amigáveis vizinhos. — Liza olhou em volta e viu apenas sorrisos. Estavam todos tão confiantes quanto ela, então retomou a fala — Por ser uma batalha árdua dou a vocês o livre arbítrio de escolher se querem ou não participar dessa missão. Amanhã, ao tocar do sino, os que estão prontos para vencer ao meu lado compareçam aqui. Obrigado, meu povo.
Dizendo suas ultimas palavras deu meia volta e direcionou-se ao seu quarto ouvindo atrás de si seu povo berrando vivas à Rainha Liza. Tomou um banho, vestiu-se e foi ver seu filho - talvez aquela fosse a ultima vez.
Gabriel estava dormindo em sua cama, mal fazia idéia do que estava para acontecer e a Rainha achou melhor contar a criança, que, mesmo sendo nova, era madura o suficiente para entender. Ela fez cócegas na barriga do garoto que acordou rindo.
— Ah, mãe. Eu estava dormindo! — disse o garoto com a voz rouca de recém acordado.
— A mamãe precisa conversar com você.
Gabriel olhou curioso para a mãe esperando que ela iniciasse.
— Bom, filho. Amanhã será um grande dia para todos nós do Reino da Água. Amanhã nós vamos batalhar com o Reino do Fogo. De uma vez por todas.
Ele continuou apenas olhando-a
— Vai ser uma batalha bem difícil e talvez muitos se machuquem, mas é necessário.
— Eu não quero que você se machuque.
— Tomarei cuidado. Você entende que a mamãe fará isso pelo povo, né?
— Entendo. Nosso dever é protegê-los acima de tudo.
— É isso ai, garotão — disse Liza bagunçando o cabelo do garoto e o abraçando em seguida.
— Eu te amo muito, meu príncipe.
— Eu também, mamãe. Se cuide.
Gabriel deu as costas para a mãe e voltou a dormir. Ele tinha consciência de que sua mãe poderia morrer no dia seguinte, mas sua fé nela era maior.
Liza levantou-se e foi para o seu quarto e após ter deitado caiu em prantos.
Liam contemplava a vista da janela que salvara sua vida alguns meses antes quando ouviu o barulho de alguém batendo na porta.
— Entre.
Entrou um mensageiro com um pergaminho em mãos.
— É uma carta anônima, vinda do Reino da Água.
Caro Liam,
Informo-lhe por motivos pessoais que a Rainha Liza planeja um ataque ao seu Reino esta manhã. Gostaria de tê-lo informado antes, mas a informação só chegou aos meus ouvidos esta noite.
Sei que és um rei convencido e orgulhoso, mas não subestime o ataque. Como havia lhe informado na carta anterior estamos treinando muito duramente e estamos mais fortes que nunca. Surpreenda a Rainha. Ela pensa que o pegará desprevenido novamente.
Quando chegar a hora certa saberá quem sou. Em troca quero ser poupado da morte e quero alguns prêmios em ouro.
Atenciosamente.
Após ler a carta Liam foi imediatamente conversar com o comandante da sua tropa mostrando-lhe a mesma e passaram horas tramando planos de batalha. Liam estava excitado e feliz, porém temia em segredo a falha.
Ao soar do sino a Rainha Liza apareceu vestida para a guerra no pátio principal do reino e surpreendeu-se com o número inesperado de soldados. De todos os 250 soldados que tinha apenas 20 resolveram não participar da batalha, por terem a idade mais elevada que os demais.
A Rainha prendeu sua espada na bainha, subiu em seu cavalo e deu sinal com as mãos para que a seguissem. Foi na frente, enquanto alguns a seguiam de perto montados em cavalos e outros mais distantes vinham a pé.
Caminharam por algumas horas e chegaram aos portões do novo continente. O coração de todos eles batiam mais rápido em sintonia e Liza virou o corpo para contemplar sua tropa. Abriu a boca para começar a desejar boa sorte a todos quando uma flecha em chamas passou rente ao seu rosto queimando uma mecha de seu cabelo. Ao olhar para frente novamente viu bem longe, alguns movimentos no horizonte e ouviu barulho de trotes.
Eles sabiam. Mas como? No momento isso não era prioridade. Virou-se novamente e disse
— Vamos lá. Boa sorte tropa.
Cavalgaram em direção ao som do trote inimigo com suas espadas, arcos e flechas e escudos de gelo impenetrável.
Visto de cima o momento do choque entre os dois reinos foi lindo, mas visto de baixo foi catastrófico. Sangue e fúria por todo o lado.
Liza teria que atravessar o mar de soldados inimigos se quisesse encontrar-se com Liam. Ela imaginava que ele teria enviado seus soldados a morte sem nem mesmo sair de seu castelo. E foi com sua espada fatal e uma força movida a ódio que Liza foi destruindo todos que bloqueavam seu caminho. Quando chegou ao miolo da guerra ouviu aquela risada familiar.
Liam.
Olhou em volta para encontrá-lo, mas tudo que via era morte. Soldados do Fogo com o mesmo traje vermelho e bronze. Foi quando avistou um caminho se abrindo entre os soldados e um homem com o traje diferente surgiu sorrindo montado em seu cavalo negro. Ela cavalgou em direção ao Senhor do Fogo que virou-se e começou a fugir. Ela foi atrás dele.
A guerra entre os soldados estava equilibrada. Cerca de cem soldados de ambos os reinos haviam falhado, mas alguém teria que vencer. Ericles continuava vivo e com poucos ferimentos acumulados nos braços. Em compensação, já havia matado vários soldados do Fogo.
Viu-se livre da multidão de soldados, mas Liam não parava de correr. Em certo ponto da perseguição Liza o perdeu de vista. Ficou furiosa e o procurava em volta. Já estava ficando escuro e seria impossível achá-lo se o cavalo de Liam parasse de relinchar.
Ela foi acompanhando o som que ia mais adiante de umas árvores. Avistou o cavalo de longe, mas Liam não estava nele. O cavalo estava amarrado a uma árvore sozinho.
Mal teve tempo de entender que era uma armadilha e Liam pulou do alto de uma arvore mirando a lâmina da espada na Rainha. Ela esquivou-se por reflexo e sacou sua espada.
Liza atacou Liam com sua espada, porém não o acertou. Ela estava pessimamente posicionada. Tal como Liam queria. Caiu direitinho em sua armadilha.
Já estava escuro e Liam se escondeu novamente entre as arvores. Liza segurou a espada em posição de ataque e ficou atenta à próxima investida do Rei. Liam surgiu logo atrás dela e cortou-lhe uma ferida profunda no braço. A Rainha tremeu, mas logo virou-se para o contra ataque. Batalharam duramente acertando-se poucas vezes em locais pouco preocupantes, mas estavam começando a ficar cansados. Nenhum deles usou seu poder durante a batalha toda. Era uma batalha de sabedorias iguais. Apenas utilizava-se espada e mente. Ambos já estavam cansados e resolveram dar um fim naquilo.
Liza foi para trás para tomar impulso e Liam fez o mesmo. Correram um em direção ao outro com suas espadas em posição.
No momento do choque Liam levantou a espada para atacar por cima e Liza foi obrigada a segurar sua espada com as duas mãos – uma no cabo e outra na lâmina- para amparar o golpe de Liam. Quando as duas espadas se encontraram o barulho de choque foi tão grande que foi perceptível a força que o Rei havia colocado nesse golpe. Liza empurrou a espada com força jogando Liam para trás. Ele deu de costas com uma árvore e caiu ruidosamente no chão. A Rainha correu em direção e ele e apertou a espada com força em seu pescoço dificultando sua respiração.
— É o fim, Liam. E já deveria ter acabado há muito tempo.
Quando ela estava prestes a decepá-lo uma flecha atravessou sua têmpora indo de um lado da cabeça ao outro. Seus dedos cederam e a espada caiu no colo de Liam, juntamente com a Rainha.
Liam ficou sem entender. Já havia aceitado a derrota. Já havia aceitado a morte. Quem o teria salvado?
Olhou ao redor e viu um homem robusto com vários ferimentos.
Não era nenhum de seus soldados.
— Quem é você?
— Olá, Rei Liam. Me chamo Ericles. Já nos conhecemos, mas de maneira indireta.
segunda-feira, outubro 10
OVCDP - 01 - A dor de uma perda causa o ódio entre os Reinos.
Liza era a governadora do Reino da Água. Durante todos os tempos de guerra o reino aquático foi o único que se manteve em pé após os ataques do fogo. Os reinos da terra e do vento tinham sido totalmente destruídos. Os responsáveis pelo ataque saquearam as cidades e tacaram fogo nelas, mataram pessoas e abusaram de suas mulheres.
O reino do fogo era o maior e o mais poderoso. Liam, seu governador, era um jovem muito belo e mal. Tão mal quanto se pode imaginar. Ele organizara ataques aos reinos mais fracos apenas por diversão. Ficara extremamente furioso ao perceber a desvantagem que tinha sobre o reino aquático. Até então ele só usara a força possuída por ele, mas se quisesse destruir o Reino da Água teria que usar de sua inteligência que era tão avançada quanto sua maldade e sua beleza.
Liza ajudara os outros dois reinos a se reconstituírem com alimentos e dinheiro. Ela era a melhor governadora desde que a original falecera. Governava com sabedoria e amava todos os habitantes de seu reino.
Era filha única, portanto, o segundo no trono era seu filho. No momento era apenas uma criança, mas Liza já o ensinava desde muito cedo os princípios para ser um bom governador. Uma criança muito inteligente e amável. Liza tinha certeza que ele seria perfeito no trono. O pai dele morreu quando era apenas um bebê em um dos muitos ataques feitos pelo Reino do Fogo. Ele estava passeando pela cidade com o pequeno Gabriel quando ouviu-se os sinos avisando que estavam sob ataque. Estavam muito longe de toda a proteção do castelo e abrigaram-se na casa de uma camponesa. Ficaram lá durante horas e quando já não se ouvia o bombardeamento nem choros, nem gritos, agradeceram a mulher e saíram. Durante o caminho de volta ao castelo encontraram-se com um guerreiro do fogo estuprando uma garota que aparentemente ainda não atingira a idade adulta. O Rei ficou tão furioso que colocou Gabriel sentado no chão e atacou o criminoso sem dó. Depois de uma luta intensa de punhos praticamente ganha, o Rei resolveu matá-lo de uma maneira mais cruel e enquanto transformava água em uma espada de gelo foi surpreendido por uma bola de fogo que atravessou seu peito e arremessou seu coração em chamas a três metros de distância. O criminoso já estava de saída quando ouviu o choro do pequeno Gabriel. Cogitou em matá-lo e o mataria se soubesse que aquele é o herdeiro do trono, mas ignoravam essa informação e tampouco sabia que aquele que acabara de matar era o Rei. Ao invés disso apenas desenhou com seus dedos flamejantes na pele do bebê o escudo do Reino do Fogo. Deixou a criança onde a encontrara e foi embora. Três horas mais tarde a rua ainda estava deserta, mas um morador ouviu um chorinho e foi socorrer a criança. Suas costas sangravam abundantemente e ele estava sujo com o sangue do próprio pai, mas mesmo assim o morador o reconheceu. Reconheceu também que o corpo estirado no chão com um enorme buraco era o marido da Rainha Liza. Levou a criança imediatamente ao castelo e deu instruções de como chegar ao corpo. A Rainha Liza ficou muito furiosa e triste ao mesmo tempo. Prometeu a si mesma que destruiria Liam o mais breve possível. Da maneira mais cruel e humilhante possível.
Conforme o tempo passou Liza planejou vários ataques contra Liam. E Liam por várias vezes fez o mesmo. O ódio que crescera entre os dois governadores se tornou absurdo. Durante um ataque ao reino do fogo Liza esteve tão perto de matar Liam que parecia até um sonho.
Apenas um dia antes do ataque, Liza avisou aos seus guerreiros que atacariam ao Reino do Fogo na manhã do dia seguinte, como sempre que combinavam o ataque antecipadamente a informação vazava e Liam já os esperava com toda sua tropa e sempre acabava em empate. Este foi o momento em que chegaram mais próximos da vitória. Quando chegaram eles estavam despreparados. A tropa toda estava em bares ou em casa e havia poucos sentinelas que foram destroçados antes que pudessem disparar o alarme. Invadiram a cidade e mataram cada um que cruzassem seus caminhos. Liza estava à frente da invasão. Ela era tão boa guerreira quanto governadora, mas só dava as ordens. Não gostava de matar inocentes, mas deu ordens explicitas que ela mesma mataria Liam. Ela queria que ele visse o ódio em seus olhos. Queria vê-lo sentir medo e queria acima de tudo ter o sangue dele em suas mãos. Só isso tornaria possível que dormisse em paz novamente.
Os guerreiros aquáticos se dividiram em três partes: Os que ficariam de sentinela pela cidade e matariam todos que quisessem se opor a eles; Liza ordenou que só matassem quem ameaçasse o bem andar do plano. Os que ficariam de sentinela em frente a todas as entradas do castelo; mataram os guerreiros originais dali e vestiram suas vestes para que não fossem reconhecidos como inimigos. E os que participariam da invasão ao castelo. A informação que eles estavam no castelo já tinha sido passada ao general responsável pela tropa de fogo quando Liza chegou ao quarto de Liam. A informação foi passada por um vendedor por uma passagem subterrânea da qual os guerreiros da água não sabiam a existência.
— Estou atrapalhando, Liam? — disse a Rainha com um sorriso que fez Liam estremecer.
Liam estava sentado em sua cama lendo um romance antigo escrito por uma garota do Reino do Vento que roubara enquanto saqueara suas terras apenas para livrar-se do tédio.
— Olá, minha nobre Rainha. Se aceita um conselho meu lhe digo: Nunca roubes livros do Reino do Vento. Esses caras são tão inúteis que não sabem nem escrever um livro com um pouco de ação, — disse balançando o livro e jogando-o pela janela do quarto— mas devo admitir que estou muito surpreso em vê-la. A quê devo a honra?
— Eu ainda não o matei.
— Ficaria muito grato em lutar com você.
— Ah, vamos parar com toda essa cordialidade. Você sabe tão bem quanto eu que sem a ajuda da sua tropinha não é páreo para mim.
Das palmas de Liza saíram estacas pontudas de gelo. Ela correu em direção e ele e o acertou na maçã do rosto. Fez um corte raso e Liam pode sentir as pequenas gotas de sangue escorrer. Liam sorriu.
— Está brincando? Gelo? Você tem a incrível chance de me atacar sozinha e me ataca com gelo? Decepcionou-me. — Liam encostou uma de suas mãos na parede e imediatamente Liza pôde sentir a temperatura subir. Suas estacas derreteram. — Nada de gelo. Entendeu?
— Cretino.
Liam gargalhou alto e direcionou uma bola de fogo em direção à Rainha que deu um salto e se esquivou. Imediatamente começou a gargalhar
— Fogo? Você está batalhando com a Rainha do Reino de Água e me ataca com fogo? — tirou uma espada e apontou para a espada na parede do Rei. — Anda, vamos ter uma luta de igualdades então. Sem ninguém ter vantagem sobre ninguém.
Liam demonstrou que aderiu a idéia pegando a espada e com uma velocidade surpreendente atacou a Rainha e feriu a no braço.
A partir desse momento não houve mais diálogo algum. Apenas batalharam durante alguns minutos. Era uma batalha de mestres e estaria guardada para todo o sempre na história se Liza não tivesse hesitado em decepá-lo quando teve a chance. Esteve por um segundo com a espada no pescoço de Liam e ele estava desarmado. Poderia tê-lo matado naquele mesmo instante, poderia tê-lo feito pagar, mas não o fez. Nem ela mesma sabe o porquê, mas segundos depois sentiu uma dor aguda no seu peio. Liam estava com suas mãos pegando fogo pressionando-as sobre o peito de Liza. Ela por impulso deu um pulo para trás. Liam correu para saltar pela janela — o que era praticamente suicídio já que estavam no oitavo andar se não tivesse um rio logo ali em baixo. Liza ao perceber que ele estava fugindo, criou um punhal de gelo e jogou-o nas costas dele. Foi certeiro. Fincou nas costas dele e ele caiu.
Liza pensou que tinha o matado, mas estava enganada. Ela não queria dominar o reino. Só queria matá-lo e tendo o feito foi embora.
Uma semana depois um servo procurou Liza em seu aposento. Disse-lhe que precisava mostrar-lhe uma coisa. A Rainha o acompanhou e viu uma mulher segurando um bebê. Ela contou que durante a noite saiu e deixou seu bebê sozinho e quando ela voltou, alguns minutos depois, o bebê não parava de chorar. Quando já não sabia o que fazer para calar a criança resolveu dar-lhe um banho. Foi quando viu em suas costas o símbolo do escudo do fogo e uma mensagem escrita em letras pequenas: “Ainda não se livrou de mim.”.
Foi assim que a Rainha descobriu que falhara em sua missão e por várias vezes se torturara por não tê-lo feito quando teve a chance. Mas ainda tinha esperança de vingar a morte de seu marido e a dor de seu pequeno filho.
Os Vilões Cegos de Penapolândia - Prólogo
Em um lugar muito distante, na mente de todos que crêem um deus criou um mundo perfeito onde todos os homens viviam em comunhão.
Para isso ele usou a ética, a educação, a união, a cidadania e amor. Misturou tudo em uma tigela de esperança e assim foi criado o mundo tão desejado por todos.
Esse deus era apenas imaginário, como esse novo mundo. Deuses imaginários estão sujeito à morte, caso não haja crença nele, e com o passar dos anos ele foi sumindo. Sumindo aos poucos. Ele sabia o que acontecia. Sabia que logo não existiria. Seu mundo estava sumindo também e ele tinha que salvá-lo. Era o dever dele. Ele amava todos os serem que o habitavam e não poderia apenas deixá-los morrer.
Com o resto de vida que ainda lhe sobrara criou os quatro espíritos protetores. O espírito da água, o do fogo, da terra e do vento. Dividiu o mundo em quatro continentes e mandou que os espíritos escolhessem a pessoa mais pura e digna de cada continente para que o governe.
O espírito da água escolheu uma mulher jovem que estava noiva de um simples marceneiro. Ela o amava muito e cuidava de sua mãe enferma trabalhando em uma escola primária. Tratava as crianças com muito carinho. Era um exemplo de pessoa.
O espírito do fogo escolheu um velho senhor muito sábio. Era conhecido por seus bons conselhos e por sempre agir de maneira coerente. O velhinho tinha três filhos homens que criava à risca. Todos eram muito bonitos, educados e cobiçados por grande parte das jovens da região.
O espírito do vento escolheu um jovem poeta. Era muito novo, porém muito inteligente e sempre agia com o coração. Era corajoso, guerreiro, astuto e aventureiro. Era realmente alguém livre.
Já o espírito da terra escolheu um lenhador que morava um uma cabana dentro da floresta com sua esposa e filho. Era forte, porém burro. Mas tinha um bom coração. Pensava sempre em sua mulher antes dele mesmo. Era irracional às vezes, mas sempre fazia o que era melhor para sua família.
Após terem escolhido o deus ordenou aos espíritos que explicassem aos seus escolhidos que, a partir de agora eles seriam os líderes daquela região, e ordenou-os a dar seus poderes e sua essência a eles.
Durante muitos anos os escolhidos originais reinaram, até que morreram e passaram aos seus filhos a responsabilidade. E assim foi por muitas gerações.
Mas sem os cuidados e carinhos do deus as pessoas já não eram as mesmas. Invejavam quem tinham mais e cobiçavam as coisas do próximo, matavam, roubavam e destruíam as coisas alheias. Não sentiam remorso ou culpa.
Os novos governadores criavam guerras contra os continentes vizinhos trazendo muita dor a todos os habitantes daquele mundo que, um dia, foi sinônimo de amor e paz.
Os Vilões Cegos de Penapolândia - Apresentação.
Os Vilões Cegos de Penapolândia é uma história que eu escrevi quando tinha uns 11/12 anos.
Tudo começou numa brincadeira na piscina com meu primo. Eu o visei e joguei um jato de água sobre ele gritando “Golpe do abalo da calda do dragão AAAAAAAAH” ele retribuiu com um “Golpe das garras de falcão em chamas AAAAAAAAH”. Travamos uma batalha de jogar água um no outro e gritar golpes estranhos, e, quase sem perceber, construímos uma história. Eu era do Reino Aquático, quanto a ele, o Reino do fogo.
Durante a brincadeira parávamos em determinados momentos e começávamos a fazer propagandas, como se fossemos um desenho ou um seriado. “Estamos apresentando Os Vilões Cegos de Penapolândia. [...] Você que ainda tem que levantar para ir ao banheiro de madrugada, largue essa rotina já e ligue para adquirir a cama que vem com um vaso sanitário embutido, ligando o útil ao agradável! [...] Voltamos a apresentar, Os Vilões Cegos de Penapolândia”
Comecei a escrevê-la ao chegar em casa em um caderno onde eu desenhava e escrevia contos bobos que eu ainda guardo por motivo algum. O reescrevi no computador há muitos meses, mas sem alterar seu conteúdo.
Talvez para vocês seja apenas uma história boba, um conto sem sentido, mas para os que a viveram não é nada menor que épico.
Não tinha o que postar, aí resolvi compartilhá-la com vocês. Não vou postar tudo de uma vez para dar a impressão de que eu me dedico muito a isso aqui. Logo aviso que é meio longuinha e não muito interessante, mas aos que estiverem interessados em acompanhar, sejam bem vindos a Penapolândia (:
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