Há alguns anos duas amigas minhas vieram passar a tarde comigo.
Assistimos filme, jogamos video game, comemos besteira e fizemos essas coisas todas que as pessoas geralmente fazem na companhia dos amigos, mas não era o suficiente pra mim. Eu queria rir muito.
Decidi então por um impulso que dar um baita susto em uma delas me faria rir.
Montei no quarto do meu irmão um pequeno castelo dos horrores. Com direito a velas, símbolos satânicos desenhados em um sulfite e colado na parede, um cachorro de pelúcia que se suicidou pendurado no lustre e um boneco sem cabeça feito com minhas roupas e um travesseiro.
O plano era o seguinte:
Colocava-se uma vela dentro do guarda roupa (que obviamente estava sem roupas. Até porque sou uma garota responsável.) e o boneco sem cabeça sentado na frente dessa vela na parte superior do guarda-roupa.
Minha amiga cúmplice ficava na parte inferior do guarda-roupa e quando minha amiga vítima abrisse a porta que teria um cartaz escrito "abra-me", a cúmplice jogava o boneco sem cabeça nela e depois eu que estava em baixo da cama puxava o pé dela.
Na minha cabeça isso causaria arrepios, mas não foi bem assim. Aliás, nunca é bem assim quando se trata de meu planos maléficos.
Gritei para a vitima que era para contar até trinta e entrar para que desse tempo de todos estarem em seus lugares. Ela contou, entrou e acendeu a luz.
"Alice, pode sair de baixo da cama e Amanda sai do guarda-roupa"
Perguntei como ela sabia que eu estava em baixo da cama e a Amanda no guarda-roupa
Ela respondeu "Ah, eu vi seu cabelo e está saindo fumaça do guarda-roupa"
Peraí, Fumaça?
Quando eu abri o guarda-roupa pedaços em chamas do boneco vieram ao chão junto com uma grande quantidade de fumaça. A parte superior do guarda-roupa estava em chamas e minha amiga estava presa na parte inferior inalando muita fumaça.
"Eu não consigo sair! Vou morrer carbonizada!! Me tirem já daqui!"
Eu, como boa amiga que sou, sentei-me na cama e afundei-me em gargalhadas. A vítima me acompanhou. Depois bati o fogo com um pedaço intacto do boneco até que ele se apagou. Minha amiga saiu tossindo muito, mas estava bem.
Enquanto essa bagunça toda ocorria minha mãe estava no quintal regando as plantas.
Foi muito trabalhoso não deixar nenhuma pista, mas consegui. Subornei com um sorvete minha irmã que tempos depois me dedurou.
Minha mãe encontrou o boneco-carvão cuidadosamente escondido atrás dos sapatos e passou grande tempo me dizendo o quanto fui irresponsável e que Amanda poderia ter morrido.
Nunca ri tanto na minha vida. Deu extremamente certo.
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