Esses dias uma amiga da minha mãe veio aqui em casa e trouxe com ela sua linda filhinha de três anos.
Elas ficaram trocando informações sobre a vida alheia e eu tive que tomar conta da garota.
A mãe dela disse que era só eu por o DVD do cocoricó pra ela assistir que ela ficaria quietinha. Eu coloquei e fiquei assistindo com ela.
Para olhar se ela ia querer alguma coisa, se ela ia fazer bagunça ou dormir, claro. Crianças são criaturas muito imprevisíveis. Três segundos a sós e já roeram a casa toda.
Passou um episódio em que os legumes falavam. Eu, como sempre, comecei a imaginar como seria se os alimentos falassem. Imaginei a seguinte cena:
Eu estou sentada à mesa, espeto um pedaço de carne com o garfo. Ouço um grunhido e olho para os lados; não vendo ninguém direciono a faca para a carne.
- Não! Pelo amor de Deus! Não faça isso.
Vejo que foi a carne que falou comigo e peço desculpas. Depois lembro que carnes não falam(Depois de fritas) e penso que estou louca. Converso com a carne e descubro que ela tem um senso de humor muito agradável.
Depois de algum tempo nos tornamos melhores amigas. Eu e carne (Que eu apelidara de "suculenta" apenas para irritá-la) eramos como Ash e Picachu, Salsicha e Scooby, Silvio Santos e Maísa. Eramos inseparáveis.
Depois tratei de imaginar passeios no parque com minha nova amiga, as ameaças de jogá-la aos cães, mostro-lhe seus antepassados bovinos, vamos ao shopping juntas e tudo mais. Em festas a fansasia eu ia de pirata e ela de papagaio. Suculenta me acompanhava onde quer que eu estivesse.
Quando voltei para a vida real percebi que a garota tinha pego o batom de minha mãe e riscado o rosto inteiro. Dei de ombros e fui jogar video game.
Hoje no almoço teve bife. Cutuquei cuidadosamente a carne, mas não tive resultado algum. Senti por uns breves segundos falta da Suculenta.
Agora te pergunto:
Que tipo de pessoa imagina uma coisa dessas?
Sério. Estou começando a me convencer de que tenho algum tipo de problema.
Nenhum comentário:
Postar um comentário