Durante toda a existência do Reino da Água era a primeira vez que ele era governado por um homem e Gabriel era tão bom governante quanto sua mãe.
Após a morte da Rainha Liza o reino entrou em um estado crítico. Eles se reabilitaram da maneira que puderam e os reinos vizinhos os ajudavam, antes de Liam tê-los exterminado também com o Espírito Arrasador. O Reino permaneceu sem governante até Gabriel completar dezesseis anos que foi quando ele assumiu o trono.
Agora com vinte e dois anos, os reinos da Água, Terra e vento já estavam todos reabilitados.
Gabriel ouviu falar sobre o feitiço de aprisionamento de alma que Liam estava usando em sua mãe e isso era o que lhe deixava mais furioso. Além de matá-la a privara do descanso eterno. Pesquisou sobre e leu em algum livro que era possível trazer uma pessoa com a alma aprisionada de volta a para a vida se tiver em mão a pedra da qual ela foi aprisionada, uma pequena quantidade do sangue do aprisionado, ou de alguém que tenha sido gerado dele e um corpo recém falecido para que a alma resida. Gabriel precisava da pedra.
Apesar de amar o seu povo, Gabriel não confiava em ninguém além de sua babá. Sabia que eles haviam sido traídos por Ericles no dia em que sua mãe morreu e tomou isso como lição.
Liam já não era o Rei do Fogo. Um jovem, vendo o quanto Liam era mal, falou ao povo que Liam não era digno do cargo que ele tinha e ele foi banido pelo poder do povo, enquanto o jovem se nomeava rei. Liam não se opôs à decisão deles. Ser o governador daquele reino decadente já não lhe importava. Tinha o poder necessário para ser o governador do mundo todo. Matou todos os habitantes do Continente Fogo para provar isso, com a ajuda de sua mais nova amiga.
Gabriel queria exterminar Liam. Liam queria exterminar o mundo.
Gabriel ficou sabendo que Liam já não pertencia ao Reino do Fogo, e sabia que o Reino do Fogo já não pertencia a esse mundo. Sabia que sua nova ambição era exterminar o mundo e que cedo ou tarde passaria por seu povo. Sabia também que sem a ajuda da alma de Liza não representava muito perigo. Os poderes são expandidos quando somos apenas almas, pois não somos submissos às restrições da carne. Tinha que conseguir a safira o mais rápido possível.
Seria um trabalho difícil já que Liam não residia em moradia fixa e que mesmo se eles declarassem guerra contra ele não venceriam. Dependia também da sorte.
Liam vagava pelo mundo, sem lugar para ficar, mas isso já pouco importava. Liam já quase não era humano. A sede de sangue e a maldade o transformara em uma criatura desprezível e temida. Como monstros dos sonhos de crianças. Pouco dormia, pouco comia, pouco bebia. Passava parte do dia treinando e a outra parte do dia em bares ou causando caus.
Para a sorte de Gabriel, Liam resolveu instalar-se em uma pousada barata no Continente do Vento. As pessoas o reconheciam, mas não se atreviam a opor-se a ele.
O Novo Rei havia avisado que estava à procura de Liam e que essa informação não podia chegar aos ouvidos dele, portanto, se alguém o visse era pra comunicar a ele.
Três dias após Liam ter se instalado na pousada chegou uma carta anônima dando-lhe a informação. Gabriel precisava encontrar uma maneira de obter a safira sem travar uma guerra com Liam. Tinha a informação que Liam passava as noites em bares, e muitas vezes com mulheres que se recusavam a dizer não a ele. Por que não tentar usar o velho truque da distração por uma mulher bonita?
O Rei Aquático convocou a mais bela moça do reino e juntos foram ao Continente do Vento. Até onde Gabriel sabia, Liam nunca tinha o visto, mas era melhor não arriscar, portanto vestia roupas grandes e chapéu, como um forasteiro. Gabriel e Alana ficaram do lado de fora esperando até que Liam saísse para ir ao bar. Nada lhes dava certeza de que ele sairia alguma hora, mas a carta dizia que ele saía quase todos os dias.
Após esperar quase três horas Liam sai do quarto e vai ao bar. Dez minutos depois Alana entra para não criar suspeitas. Ele se senta no balcão e ela em uma mesa com uma vista boa dele. Logo após terminar o primeiro copo Liam nota a bela moça. Pede para o garçom que encha mais um pouco o copo e senta-se junto a ela.
— Há tempos não vejo uma moça tão bonita. Olá, meu nome é Liam, mas duvido que não saiba. Posso ficar aqui com você?
— Claro — Respondeu Alana visivelmente nervosa
— Eu sei. Perguntei apenas por educação. Quer beber mais um pouquinho, ou já podemos subir ao meu quarto?
— Vou beber mais um pouquinho — Alana levantou a mão e pediu mais um copo.
Os dois bebiam em silêncio quando Liam começou a passar a mão no braço dela. Ela tirou educadamente suas mãos de cima dela.
— Olha, olha, mocinha. Não vai querer me irritar, vai?
— Não... Desculpe.
Liam inclinou-se sobre ela e a beijou. Ele fedia.
Enquanto Alana sofria no bar Gabriel vasculhava o quarto de Liam que abrira forjando uma chave de gelo. Ele acreditava que Liam não teria levado a safira para o bar, já que as chances de alguém confrontá-lo lá são minúsculas, mas poderia tê-la levado apenas por proteção à pedra. Pelo quarto estar tão desprotegido, imaginou que se a pedra estivesse no quarto estaria muito bem escondida. Procurou fundos falsos em gavetas, buracos na parede e outras maneiras de se esconder algo e nada. Não encontrou nada. Já estava indo embora decidido de que a safira estava com Liam quando olhou para o espelho e lembrou-se do feitiço que sua babá o ensinara para guardar doces escondidos de sua mãe, quando era criança. Colocou a mão sob o espelho e suavemente sua mão foi atravessando sua superfície até que elas encontraram algo. Gabriel puxou a corrente que veio junto com a safira. Seu coração bateu mais forte. Ali estava a alma de sua mãe. Deixou tudo como estava e foi descendo as escadas, quando viu Liam subindo com Alana. Forçando-a subir, aliás. Gabriel enfiou-se no quarto de vassouras o mais rápido que pôde e esperou até que ouvisse o barulho da porta de Liam fechando. Pobre Alana, não merecia aquilo, mas Gabriel teria que deixá-la para trás.
De volta ao Reino da Água Gabriel procurou a família de Alana e explicou o que havia ocorrido. Pediu que se ela regressasse era pra ele ser informado para compensá-la. Logo após Gabriel consultou um feiticeiro que lhe ajudou a trazer de volta sua mãe. Tudo que ele precisava era um corpo recém falecido agora. Usou o corpo de uma mulher que havia morrido de parada cardíaca.
O feiticeiro colocou o corpo da mulher sobre a mesa e colocou o colar em seu pescoço. Tirou um pouco do sangue de Gabriel e colocou sob a testa da mulher formando um símbolo que Gabriel não conhecia. Murmurou algumas palavras e disse a Gabriel que agora era só espera um pouco.
Depois de alguns minutos a mulher se levanta confusa. Ao ver o Gabriel sorri.
— Olá, meu príncipe.
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