Montado em seu cavalo negro com uma falecida rainha no colo, o Rei Liam cavalgou até o local onde a guerra maior ocorria. Naquele momento já era noite e os soldados lutavam iluminados pela luz da lua. Poucos restavam, mas era perceptível a superioridade do Reino Aquático.
Ericles o seguia montado no cavalo da sua rainha e pensava na sua recompensa. Queria ouro acima de tudo.
Ericles traíra seu povo por um único motivo: ambição. Dava-se bem com a rainha e com todo o povo e recebia bem em seu trabalho, mas aquela era a maneira mais fácil. Imaginava ele que Liam iria o recompensar muito bem por tê-lo salvado a vida.
Liam parou em um local mais elevado com uma bela vista da guerra. Viu sem compaixão seus soldados no chão e os poucos que restavam sendo massacrados. Ergueu-se e proclamou:
— A guerra acaba aqui, soldados. Sua rainha está morta. Eu venci. — Liam puxou Liza pelos cabelos e a expôs ao povo.
Era audível a exclamação do povo, vinda de ambos os lados – Os soldados do Fogo já haviam aceitado a morte também.
— Isso se encerra aqui. Ericles, acabe com seus colegas.
Voltaram então, todos os sobreviventes daquele local para o Reino do Fogo (exceto um sobrevivente Aquático que Ericles poupara com a missão de levar a história aos demais).
Chegando ao Reino do Fogo o Rei Liam após expor novamente a falecida Liza ao povo foi de encontro com o feiticeiro do Reino.
— Realize o feitiço de prisão de alma.
— Onde está o exemplar da pedra?
Liam jogou uma safira e um cordão de ouro sobre a mesa do feiticeiro.
— Ótimo, meu rei. Ótimo. Amanhã estará pronto.
Liam estava cansado. Permitiu que os moradores do Reino fizessem uma festa, mas não quis participar dela. Foi para o banho e acabou cochilando na banheira.
O feitiço de prisão de alma consiste em prender a alma de uma pessoa recém falecida em uma pedra preciosa, podendo invocá-la quando desejar para que faça qualquer tipo de serviço. Liam admirava a inteligência e o poder de luta da rainha e não poderia perder isso. O único inconveniente era que a alma só obedecia à pessoa que a tivesse matado e nesse caso era o Ericles. Caso o dono atual fosse morto, o dono passava a ser quem o matou. Caso a morte tenha sido causas naturais a alma aprisionada está livre. Caso o próprio aprisionado o matasse, sua alma seria morta junto.
Liam acordou assustado e estremeceu, pois a água já gelara. Enrolou-se em uma toalha e foi para cama.
Ao amanhecer Liam foi novamente procurar o feiticeiro para receber sua safira com a alma da rainha aprisionada, após ter feito isso foi visitar Ericles.
— Olá, Ericles. Não tive a oportunidade de agradecer-te ontem.
— Tudo bem, majestade. A outras formas se ser recompensado.
— É exatamente este o motivo de minha visita.
O olhas de Ericles estava visivelmente mais interessado.
— Devo minha vida a você, portanto lhe darei o que mais tenho de valioso.
Conforme as palavras de Liam eram ditas os cantos dos lábios de Ericles erguiam.
Liam mostrou-lhe a safira e o cordão de ouro. Colocou no pescoço de Ericles.
— Oh, muito obrigado Rei Liam. Serei eternamente grato.
—Quantas vezes disse isso à sua rainha?
— Hã... Como assim?
— Pelo que entendi você era alguém em que a rainha confiava muito. Como pôde traí-la assim?
— Não estou te entendendo.
— Então vou esclarecer. Serei eternamente grato por ter salvado minha vida, mas neste reino não há lugares para traidores. Se traiu tão facilmente sua rainha por qual foi leal há anos o que lhe impediria de trair-me? Gostaria que as pessoas continuassem pensando que fui eu quem matei a rainha, portanto você é um peso. Adeus.
O rei lançou uma bola de fogo que rasgou Ericles ao meio e em seguida pegou sua safira.
Agora a rainha obedeceria somente a ele. Ele que matou seu antigo dono.
Só lhe restava pensar no que fazer a partir de agora. Por onde recomeçar? Durante anos sua vida se baseou na queda do Reino Aquático e agora ele ruíra. Tem uma arma tão forte em suas mão agora, mas não tem com quem usar. Os reinos do Vento e da Terra eram fracos de mais. Teria que encontrar inimigo à altura, ou aprender a viver de outra forma.
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